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Carta de crédito: como funciona, do primeiro boleto à compra

A carta de crédito é o dinheiro do consórcio com destino definido. Este texto mostra como ela nasce, quando fica disponível, o que dá para comprar com ela e o que fazer quando o bem custa mais ou menos que a carta.

7 min de leitura Por Alexandre Ramos
Pasta de papel kraft, molho de chaves e caneta sobre mesa de madeira num apartamento vazio

A carta é o dinheiro. A escolha do que comprar com ela continua sendo sua.

Carta de crédito, no consórcio, é o valor que o grupo libera para você comprar um bem quando a sua cota é contemplada. Você escolhe o valor ao entrar (por exemplo, R$ 300 mil para imóvel ou R$ 80 mil para veículo), paga parcelas mensais e, quando é sorteado ou vence um lance, ganha o direito de usar esse crédito para comprar o bem. A administradora paga o vendedor, não você.

Em resumo: a carta é dinheiro com destino definido. Serve para comprar um bem do segmento do seu grupo (imóvel, veículo, serviço), fica disponível só depois da contemplação, é corrigida ao longo do plano e não é sacada livremente na maioria dos casos. Um aviso de vocabulário: aqui não se trata da carta de crédito de comércio exterior, aquela que bancos emitem para importação e exportação. É outro instrumento, com o mesmo nome.

O que é a carta de crédito no consórcio

O consórcio é um grupo de pessoas que contribuem todo mês para um fundo comum. Esse fundo é a fonte das cartas. A cada assembleia, uma parte do dinheiro arrecadado vira crédito para um ou mais participantes, por sorteio ou por lance. A Lei 11.795/2008 regula o sistema, e o Banco Central fiscaliza as administradoras.

Ou seja: a carta de crédito não é um empréstimo do banco. É a sua vez de usar o dinheiro que o grupo inteiro junta. Por isso não há juros, e sim uma taxa de administração, que é a remuneração de quem organiza o grupo. As linhas de custo estão explicadas em quanto custa um consórcio de imóvel.

Como a carta se forma, passo a passo

  1. Você escolhe o valor do crédito e o prazo. O valor da carta define a parcela. Quanto maior a carta ou menor o prazo, maior a parcela.
  2. Você entra num grupo e passa a pagar. A parcela soma a fração do crédito, a taxa de administração, o fundo de reserva e, em geral, um seguro.
  3. O crédito é corrigido. Uma vez por ano, em regra, o valor da carta é atualizado por um índice definido em contrato (no imóvel, costuma ser um índice da construção civil). A parcela acompanha.
  4. A contemplação acontece por sorteio ou por lance. Não há data marcada. O lance é antecipação de parcelas, e o que o lance realmente faz é comprar posição numa disputa, sem garantia de resultado.
  5. Você usa a carta. Escolhe o bem, a administradora analisa você e o bem, e paga o vendedor.
  6. Você continua pagando. Contemplação não é quitação. As parcelas seguem até o fim do plano, e o bem fica em garantia até lá.

Quando a carta pode ser usada

Só depois da contemplação. Antes dela, você é dono de uma cota, não de um crédito disponível.

Depois de contemplado, entram três filtros que muita gente só descobre na hora:

O roteiro completo dessa fase está em fui contemplado no consórcio, e agora. Quem quer pular a espera pode comprar uma carta que já foi contemplada; o mecanismo está explicado em carta contemplada: como funciona.

O que dá para comprar com a carta de crédito

Depende do segmento do grupo e do contrato. A regra geral é que a carta compra um bem do mesmo segmento, e você não fica preso ao modelo ou ao imóvel que serviu de referência na adesão.

SegmentoUsos comunsO que costuma depender do contrato
ImóvelCasa, apartamento, sala comercial, terreno, imóvel na plantaConstrução, reforma, quitar financiamento de imóvel próprio
VeículoCarro novo ou usado, moto, utilitárioIdade máxima do usado, compra de particular
PesadosCaminhão, ônibus, máquina agrícolaIdade e tipo do equipamento
ServiçosCirurgia, festa, curso, reformaLista de serviços aceitos

No imóvel, o mais comum é comprar pronto, residencial ou comercial, em qualquer cidade do país, desde que a documentação esteja regular. Construção e reforma são aceitas em muitas administradoras, mas costumam exigir projeto, orçamento e liberação do dinheiro em etapas. Para veículos, os detalhes estão em como funciona a carta de crédito para veículos.

Contrato sobre a mesa com carimbo, chave de casa e chave de carro lado a lado

E se o bem custar mais ou menos que a carta?

É a pergunta que mais aparece depois da contemplação. Uma conta ilustrativa, com uma carta de imóvel de R$ 300 mil:

O imóvel custa R$ 340 mil. A carta paga R$ 300 mil e você completa R$ 40 mil com dinheiro próprio. Se o imóvel for avaliado abaixo do preço pedido, a carta cobre só até o valor da avaliação, e a diferença cresce.

O imóvel custa R$ 270 mil. Sobram R$ 30 mil de crédito. Na maioria dos contratos, essa sobra pode ser usada para abater parcelas futuras ou o saldo devedor. Receber a diferença em dinheiro depende de regra específica do contrato, e não é o padrão.

Você quer dois imóveis menores. Algumas administradoras aceitam dividir o crédito entre mais de um bem, outras não. Pergunte antes de prometer ao vendedor.

Os custos de aquisição (ITBI, escritura e registro, no caso do imóvel) também pedem atenção. Se a carta pode cobri-los ou se saem do seu bolso é regra do contrato, e é melhor saber com antecedência.

Quanto custa ter uma carta de crédito

Um exemplo ilustrativo, com números de tabela usados no nosso site: carta de imóvel de R$ 300 mil, em 200 meses, com parcela de R$ 922,50 até a contemplação e R$ 1.845,00 depois (plano de parcela reduzida no início). Os valores mudam com a correção anual, a taxa de cada administradora e o prazo escolhido.

A diferença para um financiamento está no tempo e no custo do dinheiro: o financiamento entrega o imóvel agora e cobra juros por isso; o consórcio não cobra juros, mas não tem data de contemplação. A comparação lado a lado está em consórcio ou financiamento. Para ver a parcela de um valor específico, o simulador de consórcio imobiliário calcula na hora.

Três confusões que custam caro

"A carta é dinheiro na mão." Em geral não é. A administradora paga o vendedor do bem, depois de aprovar você e o bem. Quem planeja usar o crédito para outra coisa precisa ler as regras de recebimento em dinheiro do contrato, que são restritas.

"Contemplado, acabou." Acabou a espera. As parcelas continuam, agora corrigidas, e o bem fica alienado ao grupo até a quitação.

"Qualquer carta serve para qualquer coisa." Carta de veículo não compra imóvel, e carta de imóvel não compra carro. O segmento é definido na adesão.

O ponto

Carta de crédito é o jeito do consórcio entregar poder de compra: você junta com o grupo, é contemplado em algum momento que ninguém pode garantir, e usa o crédito para comprar um bem do seu segmento, com análise sua e do bem no meio do caminho.

Se você já tem um objetivo claro (morar, investir, trocar de carro), o próximo passo é saber se a carta encaixa no seu prazo e no seu fluxo. O diagnóstico patrimonial faz essa leitura do seu caso. E para quem não pode esperar a contemplação, existem cartas contempladas à venda.

Alexandre RamosFundador da Ramos Capital, consultoria patrimonial com consórcio em Uberlândia/MG, com atendimento online para todo o Brasil.

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