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Consórcio imobiliário vale a pena? A resposta honesta, com a conta

Vale para quem pode esperar a contemplação e não vale para quem tem data marcada. A conta com o mesmo imóvel de R$ 300 mil no consórcio, no financiamento e juntando dinheiro mostra onde cada caminho ganha e onde perde.

8 min de leitura Por Alexandre Ramos
Mesa pequena de madeira com duas xícaras e um molho de chaves numa sala de apartamento alugado ao entardecer

A pergunta real não é se o consórcio é bom. É se você pode esperar pela chave.

Consórcio imobiliário vale a pena para quem tem prazo, uma parcela que cabe com folga e uma reserva de emergência separada. Nesse perfil, ele costuma custar bem menos que um financiamento, porque não há juros, só taxa de administração e as outras taxas do grupo.

Não vale a pena para quem precisa do imóvel em data certa, para quem paga um aluguel alto e não tem nada para ofertar de lance, e para quem já sente a parcela apertar no primeiro mês. O motivo é um só: ninguém sabe quando a sua contemplação vai sair, e não existe garantia de prazo. O resto deste texto é a conta que sustenta essas duas frases.

Consórcio imobiliário vale a pena para quem?

Antes dos números, o perfil. Se você se reconhece na coluna da esquerda, o consórcio merece uma simulação séria. Se se reconhece na da direita, ele provavelmente vai te frustrar.

Tende a valer a penaTende a não valer a pena
Não tem data para ter o imóvelPrecisa do imóvel até uma data (casamento, mudança, escola)
A parcela cabe com sobra no orçamentoA parcela já aperta hoje
Tem reserva de emergência separadaNão tem reserva, ou usaria ela no lance
Mora de favor, em imóvel próprio ou paga aluguel baixoPaga aluguel alto e não tem como ofertar lance
Quer comprar para morar mais adiante ou para formar patrimônioNão sabe ainda o que quer comprar
Quer fugir dos juros de um financiamento longoQuer a chave agora e aceita pagar juros por isso

Repare que nenhuma linha fala da administradora ou da taxa. Elas importam, e muito, mas só depois que o perfil encaixa. Taxa baixa não salva um consórcio contratado por quem tinha pressa.

A conta: o mesmo imóvel por três caminhos

Para comparar com honestidade, vamos usar o mesmo imóvel de R$ 300 mil nos três caminhos. Os números são ilustrativos, baseados no exemplo do próprio site, e servem para mostrar a ordem de grandeza, não para prever o seu caso.

Financiamento. Você dá R$ 60 mil de entrada e financia R$ 240 mil a 11% ao ano, em 360 meses. Na tabela Price, a parcela fica perto de R$ 2.190, sem contar seguros. Somando a entrada, você paga cerca de R$ 849 mil ao longo de 30 anos. No SAC, a primeira parcela passa de R$ 2.760 e vai caindo, e o total com a entrada fica perto de R$ 678 mil. Em troca, a chave vem logo após a aprovação.

Consórcio. Uma carta de R$ 300 mil em 200 meses, com parcela de R$ 922,50 até a contemplação e R$ 1.845,00 depois. A parcela cheia vezes 200 meses dá cerca de R$ 369 mil: o crédito mais as taxas do grupo, em valores de hoje. A carta e a parcela são corrigidas ao longo do tempo, então os valores nominais sobem, mas sobem juntos. A diferença: você não sabe em que mês terá a carta na mão.

Juntar dinheiro. Você guarda R$ 1.845 por mês, o mesmo valor da parcela cheia, numa aplicação que rende 6% ao ano já descontado o imposto (taxa ilustrativa). Se o imóvel não subisse de preço, você chegaria aos R$ 300 mil em cerca de 10 anos. Mas imóvel sobe. Com um reajuste ilustrativo de 5% ao ano, o alvo anda junto e você só alcança o preço em quase 19 anos.

CaminhoQuanto sai do bolso (ilustrativo)Quando você tem o imóvel
Financiamento Pricecerca de R$ 849 millogo após a aprovação
Financiamento SACcerca de R$ 678 millogo após a aprovação
Consórciocerca de R$ 369 mil, mais correçõesna contemplação, sem data
Juntar dinheiroo preço do imóvel na data da compraquando o saldo alcançar o preço

A tabela mostra a troca em uma linha: o financiamento cobra caro pelo tempo, o consórcio cobra menos e tira de você a certeza da data, e juntar dinheiro não cobra taxa nenhuma, mas costuma ser o caminho mais lento. A comparação completa entre os dois primeiros está em consórcio ou financiamento, e a do consórcio com a aplicação está em consórcio ou poupança.

Duas pilhas de papéis presas com clipes sobre uma mesa de madeira, uma bem mais alta que a outra

O que a tabela não mostra: o aluguel enquanto você espera

O custo que decide a conta não aparece em nenhuma simulação: é o aluguel que você paga até ter o imóvel.

Imagine um aluguel de R$ 1.500 por mês. No financiamento, ele acaba logo. No consórcio, ele continua até a contemplação. Se a carta sair no mês 24, foram R$ 36 mil de aluguel. Se sair no mês 96, foram R$ 144 mil. E juntando dinheiro por quase 19 anos, o aluguel passaria de R$ 330 mil, sem contar os reajustes do contrato de locação.

É por isso que o mesmo consórcio pode ser ótimo para uma pessoa e ruim para outra. Para quem mora de favor ou em imóvel próprio, o tempo de espera custa pouco. Para quem paga aluguel alto, cada mês sem a carta pesa. O lance existe justamente para tentar encurtar essa espera, e mesmo assim sem garantia de resultado em nenhuma assembleia.

Onde o consórcio costuma decepcionar

Quem se arrepende de um consórcio quase nunca reclama da taxa. Reclama de uma destas quatro coisas:

  1. Contratou esperando contemplação rápida. Alguém prometeu, ou deu a entender, que a carta sairia logo. Não existe garantia de prazo, nem por sorteio, nem por lance.
  2. A parcela ficou pesada. A parcela é corrigida todo ano junto com a carta. Se já apertava no começo, aperta mais depois. A meia parcela alivia o início, mas joga a diferença para a frente.
  3. Não leu as taxas. Taxa de administração, fundo de reserva e seguro mudam o custo final. Antes de assinar, vale entender quanto custa um consórcio de imóvel linha por linha.
  4. Foi contemplado sem saber o que comprar. A carta tem prazo e regras de uso, e a análise de crédito acontece de novo na contemplação. Quem chega lá sem imóvel escolhido decide com pressa, como mostra o que fazer depois de contemplado.

E se você precisa do imóvel agora?

Então o consórcio comum, que ainda vai disputar assembleias, não resolve o seu problema. As saídas honestas são duas: o financiamento, que entrega a chave cedo e cobra juros por isso, ou uma carta de crédito contemplada, que já passou pela contemplação e chega com outro custo, que precisa ser comparado com calma.

Não existe um quarto caminho que entregue o imóvel rápido e barato ao mesmo tempo. Quem oferecer isso está vendendo, não explicando.

Uma lista para decidir em cinco minutos

Responda com sim ou não:

  1. Consigo esperar alguns anos pelo imóvel sem que a minha vida trave?
  2. A parcela cheia cabe hoje com folga, mesmo que suba um pouco por ano?
  3. Tenho reserva de emergência que não vou usar como lance?
  4. Sei o que quero comprar quando a carta sair, ou vou descobrir até lá?
  5. Entendi que a contemplação pode vir no primeiro ano ou no último, e que ninguém garante o mês?

Cinco "sim": o consórcio merece uma simulação séria, e o simulador de consórcio imobiliário mostra a parcela de um cenário na hora. Dois ou mais "não": provavelmente não é o seu momento, ou o seu instrumento. Se ficou no meio do caminho, o diagnóstico patrimonial ajuda a organizar o objetivo e o prazo antes de olhar qualquer produto.

O ponto

Consórcio imobiliário vale a pena quando o tempo joga a seu favor ou, pelo menos, não joga contra. Ele troca juros por espera. Se a espera custa pouco para você, a troca costuma ser boa. Se cada mês de espera custa um aluguel alto, a conta muda, e só fazendo ela com os seus números dá para saber para que lado.

Alexandre RamosFundador da Ramos Capital, consultoria patrimonial com consórcio em Uberlândia/MG, com atendimento online para todo o Brasil.

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